A IECA - Igreja Evangélica Congregacional em Angola foi reconhecida pelo Governo Angolano aos 24 de Janero de 1987, sob o Decreto Executivo nº 9/87 e sob o Registo nº 1 de 24 de Outubro de 2005 do Ministério da Justiça. Entretanto foi fundada, aos 11 de Novembro de 1880, data que marca a chegada dos seus primeiros missionários americanos, na antiga Ponte Cais de Benguela.

 

 Fotografia: Sede Nacional da IECA

A delegação foi constituída pelos Reverendos Bagster que tinha na altura 32 anos de idade e era o chefe da delegação, William Henry Sanders que tinha na altura 25 anos de idade e pelo professor Samuel Taylor Miller, que era um Universitário ligado às questões sobre transformação social (descendente de escravos Africanos, provavelmente originários desta Angola, nomeadamente Vie). Os missionários entraram em Benguela e desta Província foram se estendendo para o interior do País.

Portanto 300 anos mais tarde depois da chegada do Português Diogo Cão em Angola isto é, em 1482. O trabalho missionário desenvolvido por estes homens de fé e mais tarde por outros que se seguiram (entre nacionais e estrangeiros) expandiu-se por quase toda Angola.

Muitas missões e centros evangélicos foram fundados para ajudar os homens e mulheres, crianças e velhos a serem perfeitos e perfeitamente habilitados para toda a boa obra (II Timóteo 3:16-17). As missões e os centros evangélicos tinham para além de templos escolas, hospitais, internatos, residências de apoio ao trabalho eclesiástico, terras aráveis para a prática da agricultura e pecuária.

A Igreja iniciou como um movimento religioso de educação para a transformação social, com o objectivo de trazer os autóctones à dignidade desejável de filho de Deus. Para implementar este objectivo escolheu as áreas e comunidades rurais, tendo como destino o reinado de Vie (Bié). Porém, a história assegura que passando pelo território do Rei Ekuikui II, Reino do Bailundo, foram detectados como estrangeiros e solicitados a apresentarem-se perante o Rei.

Este, depois de inquirir a razão da sua presença aí, apercebeu-se que tinham vindo ensinar a respeito da existência e poder de Deus, ao que ele retorquiu: “Se é apenas isso, então é melhor regressarem a vossa terra, porque temos o nosso Deus único que é Suku”. Os homens estavam prontos a desistir, quando um deles se lembrou que estavam aí para anunciar o filho de Deus, o Salvador do Mundo, Jesus Cristo.

Quando esta mensagem chegou aos ouvidos do Rei, este pediu mais explicações a respeito e depois concluiu: “Se é deste filho de Deus que salva que viestes anunciar, então começai aqui pelo meu povo, antes de chegarem ao Vie”. E assim foi e uma escola iniciou debaixo da árvore, 70 crianças foram mobilizadas, persuadidas com ginguba torrada, açúcar e rebuçado e contra a vontade de muitas famílias que viam nisso o desperdício de mão de obra para as lavras, colunas de carregadores de mercadorias e pastagens.

Quando este grupo graduou, uma escola foi erguida e serviu também de Templo para os Cultos. Uma Mulemba foi plantada, como pacto de não agressão, entre o Rei e os Missionários, depois de resolvidos os conflitos que surgiram mais tarde. Os primeiros 14 graduados, dos 70 matriculados, tornaram-se missionários e professores nas suas comunidades, convertendo muitos a esta nova filosofia de vida abundante com Cristo. Foram chamados “omãla va fulu”, filhos dos santos, em referência a bondade, mansidão, solidariedade, fé e sapiência manifestada pelos “olonãla”, Senhores.

A este grupo, o povo denominou de Mestres “Alongisi” e eram distribuídos pelas aldeias para iniciarem novas comunidades da nova vida, mais abundante. Foram introduzidas novas técnicas agrícolas, novos hábitos e costumes, uma dieta melhorada, com soja, óleos vegetais caseiros, consumo de proteína animal doméstico e selvagem, e educação dos filhos para saber ler e escrever, falar bem a língua local e estrangeira, utilizando-as para uma boa comunicação e desenvolvimento do ministério da Palavra. A escola do Bailundo, ergueu muitas outras escolas, nas Missões do Camundongo, Chilesso, Chissamba, na Província do Bié; Elende e Dôndi, na Província do Huambo; e Bunjei, na Província da Huíla.

Estas Missões regaram as instituições de então com o pessoal qualificado, que melhor podia ser encontrado: professores, escriturários, técnicos agrícolas, enfermeiros, conselheiros de desenvolvimento rural, através de um programa integrado denominado “Melhoramento do Povo”, que se espalhou por toda Angola central ao longo do Caminho–de–ferro de Benguela.

Dois exemplos podemos partilhar aqui sobre o sucesso deste programa que tinha a Igreja como um movimento de transformação social:

  • A formação de quadros era feita, para a continuidade do programa para a transformação social;
  • Os programas de vacinação nunca vieram do governo Português, mas sim dos Centros Evangélicos e Missões Evangélicas.

Presentemente a IECA cobre as 18 Províncias de Angola. 

 Fotografias: Igreja Evangélica da Canata, Lobito - Província de Benguela

  

Ordem cronológica de fundação da Igreja

 Província

Data de fundação

Nº Congregações

 1.

Huambo

1881

999

2.

Bié

1884

801

3.

Huila

1923

230

4.

Benguela

1924

205

5.

Kuanza sul

1945

173

6.

Moxico

1945

26

7.

Luanda

1977

61

8.

Kuando kubango

1983

95

9.

Malanje

1983

4

10.

Bengo

1987

7

11.

Namibe

1988

15

12.

Lunda Sul

1989

4

13.

Cabinda

1996

3

14.

Cunene

1999

7

15.

Lunda Norte

2005

2

16.

K. Norte

2006

2

17.

Uíge

2012

1

18.

Zaire

2012

1

TOTAL DE CONGREGAÇÕES

2.617

Fundação de Missões e Instituições:

1881 - Missão Evangélica do Bailundo, Província do Huambo

1884 - Missão Evangélica de Camundongo, Província do Bié

1888 - Missão Evangélica de Chissamba, Província do Bié

1904 - Missão Evangélica de Chilesso, Província do Bié

1906 - Missão Evangélica do Elende, Província do Huambo

1914 - Instituto Currie do Dondi, Província do Huambo

1916 - Escola Means (Dôndi) , Província do Huambo

1918 - Missão Evangélica de Silva Porto, Província do Bié

1920 - Missão Evangélica de Lutamo/Dôndi, Província do Huambo

1923 - Missão Evangélica do Bunjei, Província da Huíla

1924 - Missão Evangélica do Lobito, Província de Benguela

1926 - Missão Evangélica de Nova Lisboa, Província do Huambo

Secretários Gerais da IECA:

A liderança da Igreja até 1956 foi exercida por missionários estrangeiros. Neste mesmo ano a liderança passou a ser exercida por entidades angolanas como abaixo se segue:

1º Sua Revma Jessé Chiula Chipenda - 1956 à 1967 

2º Sua Revma Ricardo Uliengue. Epalanga - 1967 à 1977 

3º Sua Revma Henrique Etaungo Daniel - 1978 à 1983 

4º Sua Revma Júlio Francisco Muehombo - 1983 à 1997 

5º Sua Revma José Belo Chipenda - 1997 à 2004 

6º Sua Revma Augusto Chipesse - 2004 à 2014 

7º Sua Revma André Cangovi Eurico - Junho de 2014 até a data presente.

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